Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

FOLHA CENTO E SESSENTA E SEIS

Tinha acabado de chegar do ginásio, estava suada e cansada, com vontade de tomar banho, mas uma voz doce, vinda da TV, chamou a minha atenção. Como é que podia ser? O senhor Sócrates, bem tranquilo, conversava com uma entrevistadora e até admitia possíveis erros cometidos pelo seu governo! Não queria acreditar e fiquei a ouvir. Foi por pouco tempo. Não demorou muito desandei.
Num instante, quando falava sobre educação, ouvi tamanhas tolices que fui obrigada a retirar-me. Então o homem tem a lata de afirmar que o insucesso diminui, quando a cada ano que passa os professores vêem os seus alunos apresentar mais dificuldades em aprender e mais comportamentos desadequados? E na mesma linha de auto-elogio, ele prossegue e refere a descida do número de reprovações no 2º ano, quando sabemos dos obstáculos a ultrapassar para reter um aluno, neste ou em outro ano qualquer. As coisas chegaram a um ponto em que o melhor que o professor faz é deixar que os meninos passem no 2º e mais tarde retê-los, se tiver paciência para tal, no 3º ou no 4º ano. Mas há mais: muito se espanta, quem desconhece os meandros em que vive o ensino, com a quantidade de reprovações que se verificam no 2º ano. Pois se estamos impedidos de os reter no 1º ano é bom de ver que é no 2º ano que reprovam. Aí encalham os que já deviam ter ficado no 1º mais os que há a reter no 2ºano.

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