Quinta-feira, 17 de Março de 2011

Quem tem vontade para festa?

Os professores andam desanimados. Os funcionários públicos andam desanimados. O país anda desanimado. Acredito que mais mês menos mês não haverá dinheiro para pagar salários aos professores e a todos os outros enrascados como eu. Há centenas de escolas no corredor da morte ( a minha está incluída). A avaliação dos professores é uma ameaça que paira à nossa volta sem eu ainda perceber bem a quem vai ela servir, aos alunos não é certamente. Apesar disto tudo, o meu agrupamento está a pedir aos professores que colaborem numa festa de final de ano. Uma festa com os meninos a participarem em marchas populares.
Marchas!!!??? Imagine-se marchas. Eu estou fora. Hoje, para conseguir fazer uma modesta prenda para o pai já percorri uns bons quilómetros, sempre a gastar a minha gasolina e a expor-me a acidentes na rua. Se estragar o meu carro enquanto ando de loja em loja para reunir tudo o que é necessário para qualquer actividade da escola, ninguém me valoriza por isso e se ficar doente por sofrer algum acidente estou tramada.

Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

POR ONDE ANDAM OS MAGALHÃES?

Pois na minha sala, os Magalhães oferecidos o ano passado já não andam. Estão todos (sim tooooodos) mortos.
Este ano já chegou a nova remessa. Estava eu determinada a salvar pelo menos alguns. Para isso pedi que as cianças deixassem o dito na escola e, assim, tê-los sempre à mão quando necessário. Só iam para casa no fim de semana. Foi um desatino entre alguns pais mais ciosos. Não estava certo, os Magalhães pertenciam aos meninos e tinham sido pagos pelos pais.
Será que sim? Os pais pagaram mesmo os Magalhães inteirinhos?
Por mim, não quero saber mais de Magalhães.

Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Não fecharam a escola

Reparei hoje que ainda tinha um blogue. O desgraçado jazia abandonado nas ligações anexadas ao blogue da escola. Apesar de não ser lido e de eu, afinal, não ter nada de importante para contar ao mundo, resolvi continuar a poluir o ambiente da escrita on line, seja lá o que isto de on line for.
On line traz-me workshop, staff, site, spread, team, triller...alguém me diga: será que até as palavras temos de as pedir emprestadas? Na minha sala de aula recuso-me a usar estas lesmas com muco que caem a jorro pela boca dos sábios que me rodeiam.
Já agora, que significará a palavra blog? Tenho cá para mim que já uso estes absurdos viscosos mesmo sem querer.
Não fecharam a escola mas sobre isso eu depois conto (se cá voltar).

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Fecharam a escola

Estou triste, desolada. Fecharam a escola na minha terra, em compensação alargaram o cemitério.
A partir do próximo ano vamos deixar de ouvir as crianças no recreio da escola porque um senhor, que por acaso nem sequer aqui nasceu, decidiu fechar a escola da minha aldeia.
Diz este iluminada personagem do meu país, não da minha terra, que a escola não tem condições.
Há uns anos, enfiou uma professora a trabalhar num alpendre de 20 m², onde chovia. Aí as crianças permaneciam com os pés de molho porque chovia lá dentro. Nessa altura clamava aos quatro ventos que havia condições.
Presentemente, o alpendre já não é sala de aula, os alunos diminuiram, são só 30, e as duas salas que a escola possui estão confortáveis pois levaram um bom arranjo no início deste ano lectivo. Diz o Director do Agrupamento, o mesmo que há uns anos não se incomodava de ter os garotos com os pés de molho, que não há condições. Então, cá vai uma escola ser engolida por outra com a desculpa de que as condições são as melhores. Melhores para quem? Fechar uma escola com 30 alunos será uma atitude de inteligência ou de esperteza?
Não sou esperta nem inteligente, talvez por isso ache que seja mais um gesto que visa unicamente economizar. O bem estar das crianças não é preocupação para ninguém. Só é necessário tê-las arrumadas e da forma mais barata possível.

Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

REUNIÕES 1

Depois de conviver com os meus alunos 6 horas, todos fechados numa sala de aula abafada porque estava frio, saí da escola e corri para uma reunião na sede do agrupamento.
Estas reuniões de Conselho de Docentes são surreais. Supostamente, as reuniões servem para expor os problemas e resolvê-los. De preferência! Nas reuniões de professores só se escutam problemas, pois as resoluções apresentadas não estão previstas na lei.
Que fiz eu em mais uma reunião?

Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

ESTOU DE VOLTA

Vi-me atrapalha para regressar ao meu blogue, esqueci até a palavra passe. Já lá vão três meses …hoje fez-se luz na minha mente. Estou de volta como o outro.
Não, ainda não me calhou o Euromilhões para deixar de trabalhar. Eu tento!
Desta vez o meu blogue vai ter outras características. Será só para fazer a catarse das minhas raivas e frustrações, enquanto professor desta escola de sonho em que sobrevivo.
Depois disto parece que tem tudo corrido bem, dado que tenho andado calada. Não podia ser mais errada tal conjectura. O meu desapontamento não pára de crescer.
Ando eu, professora de meninos do 1º ano e do 2º, a preparar-me para ser avaliada. Um deste dias, planeei as minhas actividades diárias como é de bom tom. Entretanto, pus-me a redigir um Projecto Curricular de Turma, (uma coisa sem a qual, actualmente, não se é bom professor). Ao outro dia, quando cheguei à escola, consternada verifiquei que me tinha esquecido de fazer os trabalho que planeara para os meus alunos.
Grande Projecto Curricular de Turma que faz submergir uma turma. Por aqui, chamam-lhe o PCT.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

REPROVAR/NÃO REPROVAR

Chegados a esta altura do ano, muitos professores se confrontam com este dilema: reprovo ou não reprovo este aluno?
Neste assunto, acompanho a filosofia do ME. Passar sempre e só optar pela reprovação em casos muito especiais, por exemplo, se devido à imaturidade uma criança ainda não aprendeu a ler.
Os alunos que têm dificuldades não as têm porque querem. Não me parece que haja alguém a acreditar que todos sejamos capazes de ser bem sucedidos na escola. Nem todos temos as mesmas capacidades para desenvolver as mesma s actividades. Então, porque castigar um aluno que tem dificuldades na escola, reprovando-o? Há professores que argumentam contra esta minha opinião dizendo que é desmotivador para aqueles que trabalharam. Será que é? Não creio, eles distinguem bem as passagens resultantes de um trabalho efectivo daquelas são feitas porque não há volta a dar.
Quem tem medo de aprovar alunos com dificuldades não me parece que corra o risco de vir os vir a encontrar, no futuro, por exemplo, a tratarem-nos num hospital. Também não me parece que se corra o risco de passar em alguma ponte desenhada por esses alunos. Fala-se muitas vezes em facilitismo, não concordo. Durante as aulas,o professor deve exigir o máximo de todos os alunos. Há os que acompanham o ritmo, sorte deles. No futuro, certamente, irão para a universidade e farão com as suas vidas o que quiserem. Depois há os outros, os que não irão para a universidade e que trabalharão para os que se preparam no ensino superior ou , então, evoluirão em outras áreas.
A reprovação dificilmente acrescentará alguma coisa à vida de quem não é bem sucedido na escola, não passa de um castigo. As reprovações sucessivas só trazem revolta, desinteresse. Se não tivesse interesse na escola e me obrigassem a andar lá anos sem conta, acho que o partiria o mundo.
Sei que estudar não é uma profissão, mas para os jovens é a sua vida. Se para os adultos é difícil não se sentirem realizados com o que fazem diariamente, como se sentirá um jovem a viver o mesmo problema, especialmente, numa altura da vida em que o tempo demora tanto a passar?